Início » Blog » Bullying com crianças com malformações congênitas: como ajudá-las a lidar com isso?

Bullying com crianças com malformações congênitas: como ajudá-las a lidar com isso?

Você sabia que o Brasil tem duas vezes mais casos de bullying que a maioria dos países? Segundo um estudo divulgado em 2019 pelo Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), professores do Ensino Fundamental apontaram que o intimidamento entre alunos é um problema constante nas salas de aula.

O bullying é um termo derivado do inglês sobre a prática de atos de violência repetitivos, seja ela de caráter físico, verbal, psicológico ou até mesmo sexual contra outras pessoas. E, infelizmente, as crianças e adolescentes estão entre a parcela mais vulnerável e suscetível a sofrer com isso.

Muitos pequenos são intimidados diariamente por outras crianças do convívio diário e não sabem como se defender. Você consegue imaginar o quão pior é essa situação quando uma criança com malformação é a escolhida da

Afinal, por não terem aprendido em casa e na escola a lidar com diferenças, muitos preferem fazer zombarias e deixar a vítima desconfortável ao invés de aprender e entender o que está acontecendo.

Boa parte das malformações possuem tratamento e podem ser recuperadas nos primeiros anos de vida da criança, porém, em outros casos é preciso que o paciente atinja determinada idade para poder realizar a cirurgia de correção. Um exemplo comum é a microtia, cuja correção é recomendável apenas após os sete anos de idade.

 

 

Se você é mãe ou pai de uma criança que pode passar por essa situação, preparei este texto para te ajudar a lidar com esse momento e para saber como ajudar o seu filho a enfrentar o bullying.

Como descobrir se o meu filho sofre bullying?

O bullying pode surgir de várias formas e também em diversas intensidades. Ele pode ser mais sutil, com alguns olhares discriminatórios e comentários escondidos; mas também pode ser mais escancarado, com apontamentos, piadas em voz alta, repressão, entre outras ações que podem prejudicar a criança.

Como muitas das malformações congênitas realçam diferenças físicas (fendas na região da boca, orelhas pequenas, cavidade ocular mal desenvolvida, dentre outras), a criança acaba chamando mais a atenção do que o normal, ficando mais exposta a zombarias.

Por isso, é preciso estar atento a alguns possíveis sinais que seu filho possa dar de que ele está sofrendo bullying. Veja alguns exemplos abaixo:

Alta irritabilidade

Crianças que sofrem com bullying se sentem facilmente desconfortáveis com qualquer mudança brusca de assunto ou quando são contrariados e questionados.

Apatia pela escola

Normalmente, é no ambiente escolar em que ocorre esse tipo de intimidação. Como consequência de todo o estresse causado, a criança começa a sentir muito desinteresse pela escola, já que é ali que ela passa pelos momentos de alto desconforto.

Mudanças de humor

É muito comum que o bullying faça com que as vítimas fiquem emocionalmente instáveis. Por isso, mesmo fora do ambiente escolar, é comum que ela passe por algumas mudanças inesperadas de humor, já que não consegue lidar com as suas próprias emoções. 

Sentimentos negativos sobre a malformação

Normalmente, a malformação é o foco do bullying, o que faz com que a criança desenvolva sentimentos negativos sobre aquela característica física. Mesmo que a criança já tenha desgosto pela deformidade, esse sentimento pode aumentar.

Evidentemente, cada criança pode manifestar esses sinais de formas diferentes. Por isso, fique atento a mudanças repentinas de comportamento e que não existiam antes.

A palavra-chave é comunicação

Não é fácil saber que o seu filho está passando por esse momento tão ruim durante a infância e adolescência. É mais cruel ainda saber que são outras crianças que estão causando essa situação. Porém, é preciso enfrentar o que está acontecendo e tomar atitudes que sanem o bullying.

E não há dúvidas, a comunicação é o primeiro passo para a solução!

 

 

É tendo uma relação próxima com o seu filho que você logo notará que algo está diferente, ou pelo menos dará à criança confiança para se abrir com você. Ter um canal aberto com os professores e a diretoria da escola dará a chance de informá-los sobre o que está acontecendo, e assim pensar em medidas que possam acabar com essa situação. 

Na maioria dos casos, o bullying é causado por desconhecimento. Muitas crianças não são ensinadas a viver com a diferença e acham graça em tudo que é diferente. Por isso, ações no ambiente escolar que ensinem e mostrem que a malformação ou deficiência faz parte do dia a dia podem mudar tudo. 

Além disso, a comunicação com o seu filho também é o melhor caminho para que ele saiba lidar com isso e consiga passar por cima das intimidações, sem diminuir o seu valor e continuar a se amar do jeito que ele é. O diálogo mostrará para a criança que ela sempre terá para quem pedir ajuda.

E o cyberbullying? 

Apesar dos inúmeros benefícios da Internet, o ambiente virtual abriu portas para que outra modalidade de bullying surgisse: o cyberbullying.

Nessa “categoria”, a intimidação verbal e psicológica ocorre virtualmente, seja em redes sociais ou pela disseminação de informações falsas sobre uma pessoa. Por isso, é preciso ficar atento ao que seu filho está acessando na internet e o que está chegando até ele.

É comum que tais atos sejam cometidos por pessoas que se escondem atrás de perfis anônimos ou falsos (os chamados “fakes”).

Se os casos de cyberbullying ocorrerem em redes sociais como Facebook, Instagram e Twitter, eles podem ser denunciados às equipes de suporte das mesmas para que o conteúdo seja retirado e os usuários envolvidos, banidos. E caso as coisas fiquem mais sérias, é possível denunciar às autoridades!

Para evitar que ele caia emboscada, lembre-o sempre que é preciso evitar o contato com pessoas desconhecidas e também deixe claro que, a qualquer sinal de cyberbullying, é preciso denunciar a situação.

Por último, algumas dicas de ouro para segurança na Internet: esteja sempre a par dos sites que o seu filho usa e das pessoas com que ele interage nas redes sociais, caso tenha alguma. Mantenha os perfis trancados ao público e evite exposição desnecessária da criança!

 

 

Esteja e seja presente

Infelizmente, esse tipo de agressão pode vir de quem menos esperamos ou quando menos esperamos. Não será fácil enfrentar esse problema, mas não é impossível.

Você pode encontrar apoio dentro do ambiente escolar, juntamente com outras mães e pais que lutam contra esse tipo de violência. Além disso, o apoio psicológico ajuda não apenas para a criança, mas também os pais. 

O mais importante é manter a calma nesses momentos e tentar resolver racionalmente, mostrando para seu filho que não há nada de errado com ele e que é possível viver com a malformação. O seu amor e apoio é maior do que qualquer bullying. Por isso, sempre que possível, esteja e seja presente na vida de seu filho. No futuro, vocês dois serão gratos por isso!

 

 

Espero que essas dicas ajudem a acalentar o coração de pais que estão preocupados com a infância de seus filhos. Lembre-se que você não está sozinho! 

Se você gostou das indicações e quer mais orientações sobre esse assunto, tenho um canal no YouTube de vídeos com recomendações sobre malformações, cirurgias, pós-operatório e outros assuntos que podem ser do seu interesse. É só clicar aqui para se inscrever ou buscar por Clarice Abreu no YouTube, ok? Até a próxima!

Clarice Abreu

Sobre a Drª. Clarice Abreu

Sou médica especialista em Cirurgia Plástica e Cirurgia Craniomaxilofacial, com formação nacional e internacional em Cirurgia Plástica Estética e Reparadora e em Cirurgia Plástica e Craniofacial Pediátrica. Estou comprometida com um atendimento diferenciado e humanizado, respeitando a individualidade de cada paciente e valorizando seus aspectos psicológicos, suas motivações e expectativas pessoais.