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O consumismo pode prejudicar a saúde e a educação das crianças?

O consumismo na infância é um dos temas que mais preocupam pais, psicólogos e as comunidades escolares. Você também já parou para pensar sobre os comportamentos consumistas e seus possíveis efeitos nas crianças?

“Mamãe, eu quero!” – dizem os pequenos. A nova boneca da moda, o carrinho super diferente ou o lanche que passa toda hora na TV. O consumo faz parte da nossa cultura e todos nós – adultos e crianças – somos estimulados a consumir, sendo constantemente impactados por publicidade e anúncios.

Mas essa influência dos meios de comunicação em massa não vai determinar sozinha se uma criança vai aderir a comportamentos consumistas – é possível promover um equilíbrio saudável para cada família que se vê diante da equação “infância X consumo” e as dicas deste texto podem ajudar você a encontrá-lo.

 

1 – Quais são as causas do consumismo infantil?

 

 

Socialização

Somos seres sociais, portanto uma de nossas necessidades mais primordiais é o sentimento de pertencimento e aceitação, que muitas vezes está relacionado àquilo que possuímos, aos lugares que frequentamos ou aos alimentos que escolhemos. Com os pequenos, não é diferente: é comum vê-los desejando ou pedindo algo só porque seus amiguinhos têm.

 

Hiperexposição à publicidade

As crianças influenciam em 80% das compras de uma família e, até os 5 anos de idade, não sabem diferenciar uma propaganda de uma programa de televisão. Além disso, bastam 30 segundos para que uma marca as influencie.

 

Tempo x Dinheiro

Outro problema que os pais enfrentam é o tempo longe casa. Trabalhando fora o dia todo, nosso tempo com nossos filhos muitas vezes é reduzido e tentamos compensar essa falta com presentes e guloseimas.

 

Nutrição x Compulsão

Além da propaganda, entram na conta as embalagens dos produtos e os personagens relacionados a eles. Quando uma criança vê seu herói favorito na embalagem de um alimento, se sente mais propensa a consumí-lo.

 

2 – E quais são as consequências do consumismo infantil?

 

Obesidade Infantil

Nossos hábitos alimentares são formados principalmente durante a infância e dados atuais mostram que a obesidade já se tornou uma epidemia entre as crianças. Um dos principais fatores relacionados diretamente ao aumento de peso corporal é o consumo de produtos ultraprocessados e/ou carregados de açúcar refinado, que vêm cheios de sabores artificiais e pouquíssimo valor nutricional. Eles são baratos, práticos, geralmente têm embalagens chamativas para as crianças e são comumente vistos como uma alternativa “fácil” para quem precisa cozinhar um jantar rapidamente.

 

Dicas para evitá-la:

-Reduza ao máximo o consumo de alimentos ultraprocessados e privilegie os alimentos naturais: frutas, verduras, legumes. Lembre-se que os hábitos alimentares deles estão sendo construídos e, quanto mais souberem e gostarem das comidas que fazem bem à saúde, mais chances têm de levar esse gosto para a vida toda.

-Inclua seus filhos nas idas ao mercado. Esse pode se tornar um passeio divertido e um momento de qualidade, fortalecendo laços entre pais e filhos, enquanto você apresenta alimentos, ensina sobre seus valores e qualidades nutricionais e deixa que a criança participe das decisões de cardápio.

-A mesma tática pode ser aplicada às refeições: crie uma rotina na qual esse seja um momento da família, sem a interferência de outros elementos. Comer em frente a TV, por exemplo, é algo que pode ser divertido e acontecer de vez em quando, mas também pode tirar o foco dos alimentos, prejudicando a percepção da sensação de satisfação.

-Informe-se na escola sobre as merendas e lanches que são oferecidos.

-Visite regularmente o profissional de saúde que acompanha seus filhos, pedindo ajuda para complementar e construir cardápios.

-Que tal reduzir ao máximo a ida a fast foods e fazer com que cozinhar em casa, juntos, se torne um evento da família? Sabendo a origem e modo de preparação dos alimentos, as crianças vão se tornar cada vez mais conscientes e relacionar o “bem comer” à felicidade e união em família.

 

Transtornos mentais e emocionais

 

Especialistas alertam que a superexposição à publicidade e aos modos de agir do consumismo podem fazer com que as crianças se tornem imediatistas e lidem mal com frustrações. Além disso, o consumismo infantil também pode estar relacionado à depressão, ansiedade, irregularidades no sono, hiperatividade e agressividade nas crianças.

Outro efeito prejudicial pode ser o enfraquecimento dos laços de amizade, afeto e amor, além do desenvolvimento de interesses pessoais e talentos pessoais.

 

Dicas para evitá-los:

 

-Lembre-se: seu tempo, atenção e participação são os maiores presentes que uma criança pode receber, e são insubstituíveis. Trabalhando o dia todo você pode não ter a quantidade que gostaria, mas ainda pode ter qualidade, que é o mais importante! Ler uma história na hora de dormir, fazer a lição de casa juntos, sentar à mesa em família para o jantar… essas pequenas atitudes fazem toda a diferença para uma criança.

-Não tem mal nenhum em visitar a loja de brinquedos e dar aquele presentão! Mas os passeios que vocês fazem não precisam estar sempre relacionados a compras.

-E falando em lojas, você já conhece aquelas que são voltadas para os brinquedos educativos? Eles são pensados e produzidos para estimular a imaginação e a capacidade lógica. O foco deles está no que a criança pode criar, e não num jeito pré-estabelecido de brincar. Além disso, eles costumam ser fabricados de maneira mais artesanal, em menor escala e muitas vezes à mão. Consumindo esses produtos, você contribui com pequenos produtores e incentiva a economia local, colaborando para o consumo sustentável.

-Que tal promover feiras de troca de brinquedos no seu condomínio ou na escola ao invés de ir até uma loja para comprar algo que será esquecido ou rejeitado em um mês? Um brinquedo não precisa ser novo, brilhante e cheio de tecnologias para encantar uma criança. Além disso, essa atitude ensinará aos seus pequenos uma valiosa lição sobre os quatro R da Sustentabilidade: Reciclar, Reutilizar, Reduzir e Repensar!

3 – Como posso me informar melhor sobre o assunto?

 

IMAGEM: https://www.pexels.com/photo/brown-haired-girl-wearing-pink-tutu-dress-near-white-bear-plush-toy-160433/

Além de assinar nossa newsletter, você pode conhecer melhor alguns dos movimentos que se dedicam a essa causa, como:

-O MILC – Movimento Infância Livre de Consumismo – tem conteúdos super interessantes. Do acadêmico às dicas para o dia-a-dia, a organização espalha conhecimento e conscientização.

-Já o Projeto Criança e Consumo é uma das ações do Instituto Alana de proteção à Infância, que se dedica às crianças de todo o Brasil.

 

 

O consumismo é, sim, um problema no desenvolvimento das crianças, pois pode gerar problemas e frustrações. Para contornar esta ameaça, os pais precisam buscar a moderação e a racionalidade na criação dos filhos, além de denunciar possíveis abusos de publicidade aos órgãos responsáveis.

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Clarice Abreu

Sobre a Drª. Clarice Abreu

Sou médica especialista em Cirurgia Plástica e Cirurgia Craniomaxilofacial, com formação nacional e internacional em Cirurgia Plástica Estética e Reparadora e em Cirurgia Plástica e Craniofacial Pediátrica. Estou comprometida com um atendimento diferenciado e humanizado, respeitando a individualidade de cada paciente e valorizando seus aspectos psicológicos, suas motivações e expectativas pessoais.