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Como saber se a criança possui uma malformação craniofacial?

Malformações congênitas são aquelas que são adquiridas antes mesmo do nascimento do bebê e, em alguns casos, aparecem nos primeiros meses de vida.  Além disso, é comum que esse tipo de malformação seja passado hereditariamente, ou seja, de pai para filho. Porém, atente-se: isso não é uma regra. É possível que, durante o seu crescimento ainda dentro do útero, um embrião passe a desenvolver uma malformação “inédita” em seu histórico familiar.

 

 

 

Um exemplo de malformações congênitas são as malformações craniofaciais, que, apesar de o nome um pouco assustador, são totalmente tratáveis, sendo uma das especialidades da Dra. Clarice Abreu.

É muito comum que algumas malformações possam ser diagnosticadas durante o pré-natal da gestante, entretanto em alguns casos apenas depois do nascimento da criança que é possível descobrir o desenvolvimento de alguma anomalia.

Uma das formas de se evitar o diagnóstico tardio é manter o seu pré-natal totalmente em dia e, após o nascimento do bebê, encontrar um pediatra de confiança que possa solicitar todos os testes possíveis para investigar a presença, ou não, de uma anomalia. Alguns exames no período neonatal, como ecocardiograma, ultrassonografia transfontanela e ultrassonografia abdominal podem identificar malformações cardíacas, neurológicas e de vias urinárias que podem ter passado despercebidas no período pré-natal.

 

O que fazer se seu filho possuir uma malformação?

 

Após o diagnóstico, o primeiro passo a tomar é ficar o mais calmo possível e procurar um especialista no caso, para que ele possa avaliar qual é a malformação e quais são as consequências que essa alteração congênita pode trazer para o seu filho.

 

Caso o seu filho tenha sido diagnosticado com uma malformação que precisa de um tratamento cirúrgico nessa área, a primeira coisa que você deve fazer é tirar todas as suas dúvidas com o médico. Lembre-se que a informação é a melhor arma para saber lidar com algo inesperado. Aproveite esse momento de consulta com um médico especialista para saber quais são as consequências estéticas, físicas, psicológicas, os custos, o tratamento e a duração do tratamento.

Conseguiu tirar todas as suas dúvidas? Então é o momento de começar a tratar essa malformação! Se o seu filho for diagnosticado quando criança, evite postergar o tratamento para que ele possa ter um desenvolvimento normal.

 

Qual é o valor do tratamento?

 

Você deve estar se perguntando: “Esses tratamentos são caros demais para o meu bolso. O que devo fazer? ”. Cada caso é um caso, por isso não é possível precificar o custo de um tratamento para malformações congênitas sem uma avaliação individualizada do paciente. Uma das possíveis soluções é procurar por um serviço que aceite pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que Hospitais Públicos também realizam esse tipo de procedimentos.

Agora que você já sabe quais são as primeiras atitudes a tomar depois de um diagnóstico de uma malformação congênita, está na hora de saber um pouco mais sobre o assunto!

 

 Conheça algumas malformações craniofaciais e os seus tratamentos:

 

1 – Fissura lábio-palatina ou lábio leporino e fenda palatina

 

 

Essa é a malformação congênita mais comum da face, com uma incidência aproximada de 1 para cada 700 nascidos vivos. Pode ocorrer a fissura/abertura do lábio, do palato (céu da boca) ou de ambos. Essa falha ocorre durante o desenvolvimento do embrião e resulta na não formação completa dessa região do rosto. Pode prejudicar a amamentação, o desenvolvimento da fala e a estética facial, podendo comprometer o desenvolvimento psicológico e emocional da criança.

Essa malformação pode ser diagnosticada a partir da 14a semana de gestação, mas em alguns casos o diagnótico é feito apenas após o nascimento.

 

Tratamento:

 

O tratamento é feito a partir de intervenções cirúrgicas, que serão indicadas após uma avaliação específica do caso. O mais indicado é que o tratamento seja feito nos primeiros meses de vida do bebê, a fim de garantir um melhor desenvolvimento da criança durante a infância.

 

2 – Microssomia Hemifacial

 

É a segunda malformação mais comum da face, também conhecida como síndrome do primeiro e segundo arcos branquiais. Corresponde a uma malformação que leva a assimetria da face, pois compromete o desenvolvimento da mandíbula que em geral é menor de um lado. Apresenta também microtia, que é uma malformação da orelha em que esta é menor que o tamanho normal e não possui algumas estruturas típicas de uma orelha.

 

Tratamento:

 

O bebê com microssomia hemifacial deve ser inicialmente avaliado quanto à audição e à deglutição. A malformação de orelha em geral é externa apenas, mas ainda assim, é preciso avaliar se a audição foi comprometida ou não. A assimetria da mandíbula pode causar uma dificuldade de deglutição e o bebê deve ser acompanhado por fonoaudiólogas para trabalhar a deglutição. O tamanho da mandíbula, quando muito pequeno, pode necessitar de cirurgia para alongar o osso, processo chamado de distracção óssea. A criança com microssomia deve ser avaliada por um cirurgião craniofacial para indicação ou não de tratamento cirúrgico especializado.

 

 

3 – Cranioestenose

 

 

A Cranioestenose é uma malformação caracterizada pelo fechamento precoce das regiões em que os ossos do crânio se unem. Além da alteração do formato do crânio, algumas cranioestenoses podem levar ao desenvolvimento de assimetria facial e orbitária e podem cursar com aumento da pressão dentro do crânio e prejudicar o desenvolvimento do cérebro.

Diferentemente do lábio leporino, essa malformação só é diagnosticada após o nascimento da criança.

 

Tratamento:

 

O tratamento das cranioestenoses é cirúrgico e o cirurgião craniofacial irá avaliar a melhor técnica para corrigir o problema. A cirurgia para correção de uma cranioestenose deve ser idealmente realizada nos primeiros meses de vida do bebê, para evitar o desenvolvimento de alterações cranianas graves e comprometimento facial em alguns casos.

5 – Hipertelorismo

 

O Hipertelorismo é uma anomalia decorrente da malformação facial durante o desenvolvimento de um embrião. Sua característica mais visível é o afastamento dos olhos por um afastamento, na verdade, das órbitas.

 

Tratamento:

 

O tratamento dessa malformação é cirúrgico. Um deles é a osteotomia, que consiste na retirada do osso em excesso. A outra opção é bipartição facial, na qual acontece a divisão de toda a face ao meio com a reposição dos ossos de forma a aproximar as órbitas.

Uma das indicações é que a cirurgia aconteça durante os 5 a 8 anos de idade da criança, já que é nesse período que as estruturas ósseas e dentárias estão bem desenvolvidas para lidar com uma cirurgia desse porte.

 

6 – Plagiocefalia Posicional

 

 

É muito comum que bebês nasçam ou desenvolvam a Plagiocefalia Posicional, responsável pela assimetria do crânio, também conhecida como “cabeça torta”. Uma das causas dessa deformidade é o posicionamento intrauterino ou, após o nascimento, pelo apoio em apenas uma região da cabeça do bebê.

Apesar dessa deformidade não causar nenhum dano cerebral, ela pode causar alguns problemas estéticos no futuro. De fácil diagnóstico, a plagiocefalia só é descoberta após o nascimento da criança.

 

Tratamento:

 

Apesar de ser de tratamento fácil, fique atenta: essa deformidade só consegue ser tratada até um ano e meio de vida da criança. Isso acontece porque, com o decorrer do tempo os ossos do crânio vão de tornando mais rígidos e menos propensos a alterações do seu formato.

O tratamento inicial deve ser clínico, com mudanças posturais e fisioterapia. Quando o tratamento clínico não surte efeito ou quando o bebê tem uma deformidade grave ou que se  agrava a despeito da terapia clínica pode ser indicado o uso de “capacetes” específicos produzidos sob medida para o bebê. Essas órteses devem ser usadas durante todo o dia e serem retiradas apenas na hora do banho.

Este texto é apenas uma guia informativo. Caso seu filho possua um desses problemas listados ou outros, procure um serviço de saúde. Um profissional adequado poderá encaminhar a criança para um diagnóstico adequado e seu respectivo tratamento.

 

Clarice Abreu

Sobre a Drª. Clarice Abreu

Sou médica especialista em Cirurgia Plástica e Cirurgia Craniomaxilofacial, com formação nacional e internacional em Cirurgia Plástica Estética e Reparadora e em Cirurgia Plástica e Craniofacial Pediátrica. Estou comprometida com um atendimento diferenciado e humanizado, respeitando a individualidade de cada paciente e valorizando seus aspectos psicológicos, suas motivações e expectativas pessoais.